quinta-feira, 22 de novembro de 2018
I Semana Instituto Anísio Teixeira da Consciência Negra
O Instituto Anísio Teixeira - IAT, realizará no período de 26 a 30 de novembro a 1ª Semana IAT da Consciência Negra. Local: Estrada da Muriçoca, S/N, São Marcos, Salvador-BA. Toda a programação é gratuita e aberta ao público.
Durante o evento, uma série de atividades reunirá pesquisadores, estudantes e professores para refletir sobre o tema. O objetivo da 1ª Semana IAT da Consciência Negra é promover um espaço de reflexão e discussão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira e a influência dos povos africanos na construção cultural da Bahia e do Brasil, a fim de integrar o Instituto Anísio Teixeira nas comemorações do mês Nacional da Consciência Negra.
É importante destacar que haverá 200 visitantes por dia e o público alvo são professores da rede pública, pesquisadores, estudantes e demanda social. Com palestras, bate papos, mesa redondas, peça teatral, exposição de livros, revistas e publicações de autores africanos.
O evento homenageia o professor Edivaldo Machado Boaventura, morto recentemente e que, quando na função de secretário estadual da Educação (SEC), foi o primeiro dirigente da área a mover projeto para a implantação, nas salas das escolas, de aulas que trouxessem à discussão os temas ligados à afrodescendência.
Temas como os desafios da aplicação das leis 1.0639/2003 e 11.645/2008 na formação de professores, o sistema de cotas nas universidades, o processo do negro no sistema educacional e no mercado de trabalho, a capoeira como instrumento de educação e transformação social, a literatura de autores negros e os livros didáticos, a interculturalidade na educação, entre outros, serão abordados ao longo dos cinco dias de atividades. Além disso, também haverá espaço para a apresentação de experiências exitosas nesse campo, realizadas nas escolas da rede estadual de ensino.
A programação, conta com representações da UFBA, UNEB, IFBA, Instituto Geográfico da Bahia, Instituto Steve Biko, Instituto Hori, Ilê Aiyê, Muzenza, Cortejo Afro, Olodum e redes de ensino estadual da Bahia e municipal de Salvador, entre outros.
sábado, 17 de novembro de 2018
Câmara homenageia 25 anos da realização do I Senun
A passagem dos 25 anos da realização do I Seminário Nacional de Universitários Negros e Negras (Senun), será homenageada, na próxima quinta-feira (22/11), na Câmara Municipal de Salvador. A autoria do tributo é do presidente da Comissão de Cultura da Casa Legislativa, vereador Sílvio Humberto (PSB). O evento acontecerá no Plenário Cosme de Farias, às 19h, e contará com presenças de militantes históricos da luta contra a desigualdade através da Educação.
O objetivo da Sessão, segundo o vereador, “é o de comemorar e homenagear os realizadores do Senun, pela ousadia de problematizar a questão da inserção dos negros e negras no ensino superior, num momento onde a presença negra na Universidade era ainda muito escassa”. A homenagem seria, conforme o parlamentar, que tem um largo histórico de militância na luta pela igualdade, “um reconhecimento das conquistas e da capacidade de fazer muito com pouco”.
Sílvio defende a mobilização que resultou na realização do Senun como “prova inequívoca da capacidade de resistência e de ação coletiva do povo negro”. Para o parlamentar, a militância dos idealizadores do Seminário “foi um passo importante na construção de espaços acadêmicos mais democráticos”. Parafraseando Luiza Barros, o vereador reafirmou a inexistência de saídas individuais na luta contra o racismo. “Só existem saídas coletivas para esta chaga social e o Senun foi uma mostra disto”, concluiu.
Presentes
Estarão reunid@s junt@s ao vereador nesta comemoração e compondo a mesa, grandes representações acadêmicas da Universidade de Campinas (UNICAMP), do Centro de Culturas Populares e Identitárias - Secult/BA, do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Reconcavo da Bahia (UFRB), dentre outros.
SERVIÇO:
O que: Sessão Especial em homenagem aos 25 anos da realização do I Seminário Nacional de Universitários Negros e Negras (Senun);
Quando: Quinta-feira (22/11), às 19h;
Onde: Plenário Cosme de Farias - Câmara Municipal de Salvador - Praça Municipal, s/n - Centro – Salvador/BA;
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
terça-feira, 4 de setembro de 2018
"Gênero Raça e Equidade" em Salvador
(71) 9 8833-0589
Palestras p/ Seminários , Simpósios e Conferências
#PatríciaBernardesSousa #SalvadorBahiaBrasil
"Docência Negra e a BNCC" em Salvador
(71) 9 8833-0589
Palestras p/ Seminários , Simpósios e Conferências
#PatriciaBernardesSousa #SalvadorBahiaBrasil
"Docência Negra na Faculdade " em Salvador
(71) 9 8833-0589
Palestras p/ Seminários , Simpósios e Conferências
#PatríciaBernardesSousa #SalvadorBahiaBrasil
Palestras p/ Seminários , Simpósios e Conferências
#PatríciaBernardesSousa #SalvadorBahiaBrasil
quarta-feira, 11 de julho de 2018
Justiça no Sagrado – Subalternidade Feminina no Candomblé de Salvador
Por Patrícia Bernardes Sousa
Julho 2018
“Fazer o santo”
é um processo muito concreto e material: não é só uma educação sobre mitos,
cantigas e rezas, é também um habitus corporal do santo. Para tal, a iniciada
deve aprender as técnicas do corpo essenciais para a iniciação, fazer oferendas
e construir altares. É um processo dialético de objetivação e apropriação, no
qual o “santo” é construído, concretizado no altar e no corpo (SANSI, 2009,p.144)
Entendo o huncó como útero e o eni como a placenta. Partindo
deste princípio, renuncio aqui um dos projetos mais desafiadores da minha vida; o
meu antigo pré- projeto de mestrado. Filha de orixá aboró Xangô com
yabá Oyá entendem que a justiça caminha ao meu lado desde sempre. Remontar o
cenário de nascimento de orixá no ori (cabeça) de uma mulher requer cuidados
precisos e, por vezes, desbravadores em sua iniciação.
O ato de sangrar já possui proeminência constante a mulher,
dos seus dias de fertilidade aos seus dias de trazer ao mundo a vida que
guardou por nove meses em seu ventre. Assim também é a chegada da abiã ao huncó.
Apesar
de ser um termo feminino, a subalternidade não deve se fazer presente na
relação entre o sagrado e o corpo feminino. O estado ou condição de subalterna no
processo de iniciação ao sagrado, tem se feito presente, cada vez mais, nas
relações de distorção da hierarquia entre filhxs de orixá e autoridades
espirituais nos Terreiros de Candomblé. A incorporação de atos de subserviência
tem estimulado o silenciamento e a violência física dentro dos templos sagrados
de orixá. Anteriormente utilizada para ações sagradas de nascimento de filhxs
de orixá, a eni (esteira de palha sagrada) tem sido utilizada para atos de
assédio moral e aprisionamento emocional.
A entrada de uma iniciada ao Candomblé é de extrema
peculiaridade quando o assunto é assimilar o abstrato pra se entregar ao
sagrado. Cantigas, hierarquia e novas terminologias, de acordo com a nação que
se encontra, nortearam toda a sua conduta na “família sagrada"
que lhes é apresentada naquele momento. Religião, religar e
restabelecer a relação. (MAUSS E HUBERT, 1981).
O íntimo, anteriormente relacionado aos pudores de outrora,
no convívio diário na sociedade em que a filha de orixá iniciada reside, é
suplantando por atos de entrega total aos cuidados de mães e pais “pequenos” (auxiliares
do sacerdote ou sacerdotisa do Terreiro). Experienciar momentos de total
entrega e devoção ao orixá é requisita, de todos os envolvidos na cerimônia
religiosa, paciência, humildade e confiança para além do entendimento terreno
do real significado de comunhão religiosa entre a matéria e o orixá. Sublimar
este instante é nos desnudar de nós mesmos. Voraz e total confiança da filha de
orixá iniciante e seus, posso dizer, “norteadores espirituais” na iniciação.
Quando
falamos do mito da fragilidade feminina, que justificou historicamente a
proteção paternalista dos homens sobre as mulheres, de que mulheres estamos
falando? Nós, mulheres negras, fazemos parte de um contingente de mulheres,
provavelmente majoritário, que nunca reconheceram em si mesmas esse mito,
porque nunca fomos tratadas como frágeis. Fazemos parte de um contingente de
mulheres que trabalharam durante séculos como escravas nas lavouras ou nas
ruas, como vendedoras, quituteiras, prostitutas... Mulheres que não entenderam
nada quando as feministas disseram que as mulheres deveriam ganhar as ruas e
trabalhar! Fazemos parte de um contingente de mulheres com identidade de
objeto. Ontem, a serviço de frágeis sinhazinhas e de senhores de engenho
tarados. (CARNEIRO, 2011: s/p).
Amparar nas necessidades diárias no huncó é uma das
principais ações de ekedjis, ogans, babalorixás e ialorixás num Terreiro.
Amparo notado, dia após dia, antes, durante e/ou até o fim da jornada desta
filha de orixá.
Segundo Pierre Bourdieu (2010), a dominação simbólica é uma
forma de violência que se dá nas relações de etnia, de gênero, de cultura, de
língua, de religião, dentre outras. Voltar a escrever sobre orixá é algo de
extrema alegria, após anos de aprisionamento emocional. Não preciso nem provar
ou gritar o que digo, pois diversas testemunhas, no céu e na terra, me dão a
satisfação acadêmica e pessoal de retomar a minha caminhada.
Aos 41 anos de jornada nesta Terra, sei que consolei pessoas
e as retirei de abismos pessoais, através de meus textos, pessoas que nada
precisavam de ritos de Candomblé para se curar. Durante seis anos doei ao
sagrado o meu coração através de textos que alimentaram três perfis e um
fanpage.
Em 2017, o dono da justiça se fez presente e me colocou onde
eu jamais acreditaria estar: na paz do colo de Oxalá. Só quem tem orixá é que
entende. Um clichê musical que inspira os que respeitam o sagrado. Mulheres de Candomblé não denunciam
violência financeira, psicológica ou física dentro de seu templo sagrado que
frequentam ou já frequentaram, ao contrário das mulheres católicas e mulheres
evangélicas.Não são registrados dados sobre o assunto para pesquisa
qualitativa ou quantitativa .
Este #JulhodasPretas2018 eu dedico a rainha dos ventos que
muda a minha vida sempre que necessário. Caráter de orixá é diferente do
caráter humano. Eu fiz minha escolha. Adupé Orixá.
Referências:
VERGER, Pierre Fatumbi [1981] (2002) Orixás: deuses
Iorubás na África e no Novo Mundo. Salvador: Corrupio.
SANSI, Roger. “Fazer o
santo”: dom, iniciação e historicidade nas religiões afrobrasileiras. In:
Análise Social, vol. XLIV (1.º), 2009, p. 139-160.
MAUSS, Marcel e HUBERT,
Henri. Ensaio sobre a natureza e a função do sacrifício. In: Ensaios de
Sociologia, São Paulo, Editora Perspectiva, 1981.
terça-feira, 10 de julho de 2018
Subutilização Feminina – A política do “ seja menos” pra alcançar mais na Bahia
Por
Patrícia Bernardes Sousa
“Em sociedades
cuja dinâmica estrutural conduz à dominação de consciências, a pedagogia dominante
é a das classes dominantes. A manipulação, na medida em que uma minoria submete
uma maioria, aparece como uma necessidade fundamental para se conseguir um tipo
de organização que impede a emersão das massas populares, ou seja, uma
organização que preserva a conquista e o poder de quem domina.”
Paulo Freire
Parir, não parir. Amar,
não amar.
Ascender o outro e se apagar.
Esta é a lógica vigente
das mulheres negras na Bahia em 2018. O sagrado direito da escolha vem
sucumbindo as relações de diálogo entre o que queremos e o que nos é
disponibilizado nas políticas públicas de construção pessoal.
Nascemos do desconforto
das águas de um ventre sem estrutura, já que não temos acesso a uma Atenção
Básica de Saúde Humanizada, num país que se acostumou à enterrar como anônimas
milhões de mulheres negras como se fazia, até pouco tempo atrás, quando éramos lançadas ao mar após parir ou
sermos violentadas por nossos “ donos”.
Nascemos do desconforto
de nos alfabetizar para votar e ainda não avançamos no direito de escolher.
Nascemos do desconforto
de existir, pois não temos direito de ir aos espaços públicos sem sermos
chamadas de “exóticas, estampadas demais ou macacas”.
Não fomos abortadas
mais nos tratam como se fossemos. Não somos vistas. Não somos lembradas.
A lógica da
visibilidade das políticas públicas de inclusão da mulher negra é confrontada
pela “ofensa jurídica do nosso existir”.Sim, somos uma ofensa ao poder público
que perpetua a branquitude e a coisificação de mulheres negras sucateadas em
seu íntimo pela normativa masculina de permanência neste Brasil que aí está.
A alfabetização se
tornou uma luta contínua. A alimentação virou motivo de oração e invocação de
ajuda ao sagrado. A empregabilidade se tornou o retrato fiel do “escambo de
interesses” pra fazer crescer e dar visibilidade a quem nunca nos enxergou
desde o ventre. Apenas 10% das mulheres negras completam o ensino superior.
Sobreviver no Brasil nos faz acreditar que
precisamos “ ser menos” para não adentrar com propriedade e conteúdo qualquer
espaço de poder em eminência de modificar políticas públicas para nossa
inclusão .Uma correlação clara entre gênero e desemprego que evidencia que 54%
das mulheres estão desempregadas no Brasil .
Quem são “as nossas”
representantes na esfera política federal?!
terça-feira, 3 de julho de 2018
Roncó ... O silêncio que deveria trazer paz
Por Patrícia
Bernardes
(texto registrado em cartório – Julho 2017)
Em tempos em que todos se assumem saber o seu “lugar de fala”
, eu me pego a questionar onde estão estas “falas” . Ao longo de 40 anos de
vida e 18 anos de caminhada religiosa em busca da sonhada “paz” descrita nos
livros de Candomblé , tornei-me “insubmissa” nesta caminhada em prol da verdade dos “roncós inquietos
e conturbados deste século”sob a luz da Universidade Federal da Bahia , através
de seu Núcleo de Estudos Interdisciplinarares sobre a Mulher (NEIM) . Eu
poderia aqui tecer a minha construção inicial da minha submissão de mestrado ,
dentro do polo epistemológico da confiabilidade e da minha técnica de validade
de conteúdo e evidências porém , estou em processo de demarcação de um polo
teórico de modelo acessível a todos pertencentes ou não ao Candomblé .
A escolha do tema “ A Distorção do Conceito de
Hierarquia nos Terreiros de Candomblé ; A Conturbada Passabilidade do Roncó e a
Formação da Geração ‘ Candomblé On Line ’” nasceu da inquietação cotidiana de
não entender a ascensão de uns e declínio total e flagelo de outros . A luz
inicial da minha reflexão sobre este tese de mestrado será a “caminhada para a
iniciação” realizada no roncó , lugar sagrado onde ficam recolhidos os
iniciados . Usarei como base temática e metafórica os objetos sagrados como o
apèrè ( banco de madeira pequeno)e o eni ( esteira de palha ) como comprovação
e distorção do mau uso destes instrumentos de “submissão ao sagrado” como forma
de prática de crimes como assédio moral , assédio sexual , estupro de
vulnerável , estelionato e homicídio .
“ Lugar de fala que silencia vítimas de
violência em espaços públicos não é lugar de fala”, Patrícia Bernardes .
A tecnologia chegou aos terreiros de Candomblé
e as denúncias , fotos e relatos respaldam a importância de um estudo profundo
desta formação crescente da “Geração Orixá On Line” onde os fundamentos
pertencentes ao awo ( segredo) do sagrado é continuamente “vendido” em
telefonemas inescrupulosos com “ listas de obrigação” e “ ebós de prosperidade”
tão quão perversos quanto a estimativa doentio de violência física , moral e
psicológica relatada pelos denunciantes da Igreja Católica e da Igreja
Protestante.
.
A “ maquiada” hierarquia praticada nos Terreiros de Candomblé atuais são facilmente detectadas a medida que visualizamos o crescimento desordenado dos Terreiros Urbanos e o declínio estrutural dos Terreiros tombados . Este recorte de estudo é utilizado por mim para fundamentar a prática incoerente de abusos , muitas vezes descritos pelas vítimas de falsos babalorixás e yalorixás , como estelionato .
Previsto por lei , toda a analogia destes crimes produzidas em meus estudos científicos em iniciação em Julho de 2017 , pretende realinhar o conceito do sagrado x perverso escondido por debaixo das folhas que forram o chão onde são colocadas os objetos do sagrado para suporte de quem deveria ser o guardião daquele corpo material na Terra a ser apresentado ao sagrado no céu no momento de sua “ feitura” ; entrega/confirmação .
A “ maquiada” hierarquia praticada nos Terreiros de Candomblé atuais são facilmente detectadas a medida que visualizamos o crescimento desordenado dos Terreiros Urbanos e o declínio estrutural dos Terreiros tombados . Este recorte de estudo é utilizado por mim para fundamentar a prática incoerente de abusos , muitas vezes descritos pelas vítimas de falsos babalorixás e yalorixás , como estelionato .
Previsto por lei , toda a analogia destes crimes produzidas em meus estudos científicos em iniciação em Julho de 2017 , pretende realinhar o conceito do sagrado x perverso escondido por debaixo das folhas que forram o chão onde são colocadas os objetos do sagrado para suporte de quem deveria ser o guardião daquele corpo material na Terra a ser apresentado ao sagrado no céu no momento de sua “ feitura” ; entrega/confirmação .
A passabilidade no roncó será estudada de acordo com a vulgarização e permanência criminosa de pessoas sem caráter que se utilizam de fundamentação “ errônea” de orí (cabeça) meji (metade) para violentar os corpos sagrados de pessoas , na maioria mulheres e jovens de 15 á 20 anos em transe ou não , para a prática de sexo oral ou penetração inicial nos órgão genitais , sob a argumentação de fazer estas vítimas serem testadas se estão ou não incorporadas de seu orixá . Salientando também o uso , neste contexto , a coação e a submissão a vergonha pública caso haja denúncia junto aos seus “ irmãos de santo” , nome dado aos também frequentadores do mesmo “ barco” (grupo de iniciados ) .
Desbravar é a minha ação diária em nome de
mulheres e adolescentes vítimas da violência perversa que assola o Candomblé
atual . É imoral a situação atual do Candomblé nos dias atuais salientando que
o que quero não é desmerecer ou perseguir esta prática religiosa na qual eu
também faço parte . Eu , Patrícia Bernardes , sugerida como filha de Iroko ,
quero apenas “ retirar estas folhas imundas” que cobrem a visão do poder
público e de nada nos honra na terra sagrada dos orixás . Estes criminosos
comerciantes de “ ebós de pureza e prosperidade” devem ser denunciados a luz da
Justiça e não somente citados em rodas de ejò (fofocas) nas festas de obrigação
suntuosas para quem visita e nada sagradas para quem esteve presente no roncó
.
Que a ancestralidade me guarde nesta caminhada
ao lado da minha orientadora de pesquisa e de todos aqueles que participaram
direta e indiretamente do resultado final da minha pesquisa .
Olorum Modùpé .
Patrícia Bernardes Sousa
bernardes.comunica@hotmail.com
Jornalista SRTE 4392/Ba
Jornalista SRTE 4392/Ba
(71)98833-0589
domingo, 1 de julho de 2018
Like de Orisà - A tecnologia na perpetuação do Candomblé ?
Por
Patrícia Bernardes Sousa
Os
conservadores do Candomblé estão assustados, porém a “realidade virtual” de um
suposto relacionamento com o orixá (orisà) chegou e chegou pra “quebrar a web”.
“Feitos”, confirmados ou apenas “enfeitados de belos tecidos”, o que sabemos é
que a tecnologia wi-fi invadiu os Terreiros de Candomblé da Bahia e nada mais
se pode fazer pra conter este “tsunami” de denúncias, exposição do sagrado e
festas das mais diversas nações de candomblé já vista no Brasil e, em
particular, na Bahia.
O advento
dos Apps tem se tornado cada vez mais frequente nas rodas de conversa,
anteriormente informais e, atualmente, exaustivamente divulgadas nos “templos
sagrados de orixá” na Bahia. O culto ao sagrado tem sido explosivamente
divulgado nas suas bênçãos e nas suas decepções, através de gravações de vídeos
e áudios de seus filhos (as) de orixá, ladeados dos mais diversos tipos de
tecnologia dentro ou foro do roncó.
O que
fazer diante de um filho (a) de orixá que leva para dentro do roncó o seu
smartphone de última geração?! O que dizer diante de um áudio constrangedor
vastamente divulgado em grupos privados da mesma religião em questão, sobre os
mais diversos “descontroles” de pais e mães de santo direcionado para
divulgação no wathsapp?! A quem recorrer diante das denúncias de subalternidade
religiosa em terreiros históricos, reconhecidos internacionalmente e/ou
apadrinhados politicamente?!
No século
XIX , segundo o livro “A Formação do Candomblé – História e Ritual da Nação
Jeje na Bahia”, escrito por Luís Nicolau Parés, o conde de Ponte, que governou
a Bahia de 1805 até 1810, defendia uma política de repressão sistemática ao
Candomblé e afirmava que tudo não passava de uma” festa africana subversiva que
criava no escravo o gosto pela sua independência, promovendo a libertinagem e
estimulando a sua autoconfiança”.
Partindo
deste princípio, o que dizer do Candomblé deste século?! Onde se encontra
atualmente o vasto desejo de liberdade religiosa ao culto ao orixá e a
preservação do sagrado diante da chegada da tecnologia permitida e vaidosa
vastamente em expansão nos Terreiros?!
Se
compararmos às demais religiões existentes e permitidas pela Constituição no
Brasil, a propagação do Candomblé em redes sociais e aplicativos disponíveis no
celular pouco nos orgulhado na construção de políticas públicas de inclusão
dentro e fora das leis instituídas na Constituição para as próximas gerações
seguidoras de orixá. Denúncias facilmente desconstruídas e destruídas pelos
próprios adeptos da religião, em benefício civil de outros adeptos de Candomblé
que fez da religião um “negócio rentável” a revelia do ori ( cabeça) de quem a
frequenta.
Estimular
a filmagem e o registro fotográfico de orixás e das comidas sagradas em
momentos de awo ( segredo) , reverbera as mais diversas interpretações pejorativas
e negativas judicialmente, levando ao escárnio coletivo de nossa religião .
Ciente disso, se faz necessário um convite a reflexão de cada profissional e
sacerdote envolvido nesta expansão do sagrado em detrimento do momento
financeiro atual aos quais os templos sagrados se encontram . Expandir
divulgação pra conquistar adeptos pode perfeitamente caminhar de forma ética na
divulgação de obras sociais sólidas, ano após ano. Propagar o sagrado a revelia
das normas éticas, para além do roncó, avacalha e desmerece os templos sérios
de Candomblé que , por anos, constroem a estrada religiosa dentro e fora da
Bahia.
domingo, 3 de junho de 2018
domingo, 27 de maio de 2018
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