terça-feira, 4 de setembro de 2018

"Gênero Raça e Equidade" em Salvador


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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Justiça no Sagrado – Subalternidade Feminina no Candomblé de Salvador




Por Patrícia Bernardes Sousa
Julho 2018

“Fazer o santo” é um processo muito concreto e material: não é só uma educação sobre mitos, cantigas e rezas, é também um habitus corporal do santo. Para tal, a iniciada deve aprender as técnicas do corpo essenciais para a iniciação, fazer oferendas e construir altares. É um processo dialético de objetivação e apropriação, no qual o “santo” é construído, concretizado no altar e no corpo (SANSI, 2009,p.144)

Entendo o huncó como útero e o eni como a placenta. Partindo deste princípio, renuncio aqui um dos projetos mais desafiadores da minha vida; o meu antigo pré- projeto de mestrado. Filha de orixá aboró  Xangô com yabá Oyá entendem que a justiça caminha ao meu lado desde sempre. Remontar o cenário de nascimento de orixá no ori (cabeça) de uma mulher requer cuidados precisos e, por vezes, desbravadores em sua iniciação.

O ato de sangrar já possui proeminência constante a mulher, dos seus dias de fertilidade aos seus dias de trazer ao mundo a vida que guardou por nove meses em seu ventre. Assim também é a chegada da abiã ao huncó. Apesar de ser um termo feminino, a subalternidade não deve se fazer presente na relação entre o sagrado e o corpo feminino. O estado ou condição de subalterna no processo de iniciação ao sagrado, tem se feito presente, cada vez mais, nas relações de distorção da hierarquia entre filhxs de orixá e autoridades espirituais nos Terreiros de Candomblé. A incorporação de atos de subserviência tem estimulado o silenciamento e a violência física dentro dos templos sagrados de orixá. Anteriormente utilizada para ações sagradas de nascimento de filhxs de orixá, a eni (esteira de palha sagrada) tem sido utilizada para atos de assédio moral e aprisionamento emocional.

A entrada de uma iniciada ao Candomblé é de extrema peculiaridade quando o assunto é assimilar o abstrato pra se entregar ao sagrado. Cantigas, hierarquia e novas terminologias, de acordo com a nação que se encontra, nortearam  toda a sua conduta na “família  sagrada" que lhes é apresentada naquele momento. Religião, religar e restabelecer a relação. (MAUSS E HUBERT, 1981).

O íntimo, anteriormente relacionado aos pudores de outrora, no convívio diário na sociedade em que a filha de orixá iniciada reside, é suplantando por atos de entrega total aos cuidados de mães e pais “pequenos” (auxiliares do sacerdote ou sacerdotisa do Terreiro). Experienciar momentos de total entrega e devoção ao orixá é requisita, de todos os envolvidos na cerimônia religiosa, paciência, humildade e confiança para além do entendimento terreno do real significado de comunhão religiosa entre a matéria e o orixá. Sublimar este instante é nos desnudar de nós mesmos. Voraz e total confiança da filha de orixá iniciante e seus, posso dizer, “norteadores espirituais” na iniciação. 

Quando falamos do mito da fragilidade feminina, que justificou historicamente a proteção paternalista dos homens sobre as mulheres, de que mulheres estamos falando? Nós, mulheres negras, fazemos parte de um contingente de mulheres, provavelmente majoritário, que nunca reconheceram em si mesmas esse mito, porque nunca fomos tratadas como frágeis. Fazemos parte de um contingente de mulheres que trabalharam durante séculos como escravas nas lavouras ou nas ruas, como vendedoras, quituteiras, prostitutas... Mulheres que não entenderam nada quando as feministas disseram que as mulheres deveriam ganhar as ruas e trabalhar! Fazemos parte de um contingente de mulheres com identidade de objeto. Ontem, a serviço de frágeis sinhazinhas e de senhores de engenho tarados. (CARNEIRO, 2011: s/p).

Amparar nas necessidades diárias no huncó é uma das principais ações de ekedjis, ogans, babalorixás e ialorixás num Terreiro. Amparo notado, dia após dia, antes, durante e/ou até o fim da jornada desta filha de orixá.

Segundo Pierre Bourdieu (2010), a dominação simbólica é uma forma de violência que se dá nas relações de etnia, de gênero, de cultura, de língua, de religião, dentre outras. Voltar a escrever sobre orixá é algo de extrema alegria, após anos de aprisionamento emocional. Não preciso nem provar ou gritar o que digo, pois diversas testemunhas, no céu e na terra, me dão a satisfação acadêmica e pessoal de retomar a minha caminhada.

Aos 41 anos de jornada nesta Terra, sei que consolei pessoas e as retirei de abismos pessoais, através de meus textos, pessoas que nada precisavam de ritos de Candomblé para se curar. Durante seis anos doei ao sagrado o meu coração através de textos que alimentaram três perfis e um fanpage.
Em 2017, o dono da justiça se fez presente e me colocou onde eu jamais acreditaria estar: na paz do colo de Oxalá. Só quem tem orixá é que entende. Um clichê musical que inspira os que respeitam o sagrado. Mulheres de Candomblé não denunciam violência financeira, psicológica ou física dentro de seu templo sagrado que frequentam ou já frequentaram, ao contrário das mulheres católicas e mulheres evangélicas.Não são registrados dados sobre o assunto para pesquisa qualitativa ou quantitativa .

Este #JulhodasPretas2018 eu dedico a rainha dos ventos que muda a minha vida sempre que necessário. Caráter de orixá é diferente do caráter humano. Eu fiz minha escolha. Adupé Orixá.

Referências:
VERGER, Pierre Fatumbi [1981] (2002) Orixás: deuses Iorubás na África e no Novo Mundo. Salvador: Corrupio.
SANSI, Roger. “Fazer o santo”: dom, iniciação e historicidade nas religiões afrobrasileiras. In: Análise Social, vol. XLIV (1.º), 2009, p. 139-160.
MAUSS, Marcel e HUBERT, Henri. Ensaio sobre a natureza e a função do sacrifício. In: Ensaios de Sociologia, São Paulo, Editora Perspectiva, 1981.




terça-feira, 10 de julho de 2018

Subutilização Feminina – A política do “ seja menos” pra alcançar mais na Bahia




Por Patrícia Bernardes Sousa

“Em sociedades cuja dinâmica estrutural conduz à dominação de consciências, a pedagogia dominante é a das classes dominantes. A manipulação, na medida em que uma minoria submete uma maioria, aparece como uma necessidade fundamental para se conseguir um tipo de organização que impede a emersão das massas populares, ou seja, uma organização que preserva a conquista e o poder de quem domina.”
Paulo Freire

Parir, não parir. Amar, não amar.
 Ascender o outro e se apagar.

Esta é a lógica vigente das mulheres negras na Bahia em 2018. O sagrado direito da escolha vem sucumbindo as relações de diálogo entre o que queremos e o que nos é disponibilizado nas políticas públicas de construção pessoal.

Nascemos do desconforto das águas de um ventre sem estrutura, já que não temos acesso a uma Atenção Básica de Saúde Humanizada, num país que se acostumou à enterrar como anônimas milhões de mulheres negras como se fazia, até pouco tempo atrás,  quando éramos lançadas ao mar após parir ou sermos violentadas por nossos “ donos”.

Nascemos do desconforto de nos alfabetizar para votar e ainda não avançamos no direito de escolher.
Nascemos do desconforto de existir, pois não temos direito de ir aos espaços públicos sem sermos chamadas de “exóticas, estampadas demais ou macacas”.

Não fomos abortadas mais nos tratam como se fossemos. Não somos vistas. Não somos lembradas.
A lógica da visibilidade das políticas públicas de inclusão da mulher negra é confrontada pela “ofensa jurídica do nosso existir”.Sim, somos uma ofensa ao poder público que perpetua a branquitude e a coisificação de mulheres negras sucateadas em seu íntimo pela normativa masculina de permanência neste Brasil que aí está.

A alfabetização se tornou uma luta contínua. A alimentação virou motivo de oração e invocação de ajuda ao sagrado. A empregabilidade se tornou o retrato fiel do “escambo de interesses” pra fazer crescer e dar visibilidade a quem nunca nos enxergou desde o ventre. Apenas 10% das mulheres negras completam o ensino superior.

 Sobreviver no Brasil nos faz acreditar que precisamos “ ser menos” para não adentrar com propriedade e conteúdo qualquer espaço de poder em eminência de modificar políticas públicas para nossa inclusão .Uma correlação clara entre gênero e desemprego que evidencia que 54% das mulheres estão desempregadas no Brasil .

Quem são “as nossas” representantes na esfera política federal?!









terça-feira, 3 de julho de 2018

"Subalternidade Feminina no Candomblé" em Salvador






#PatríciaBernardesSousa
* linha de pesquisa em desenvolvimento

Roncó ... O silêncio que deveria trazer paz



Por Patrícia Bernardes 
(texto registrado em cartório – Julho 2017)

Em tempos em que todos se assumem saber o seu “lugar de fala” , eu me pego a questionar onde estão estas “falas” . Ao longo de 40 anos de vida e 18 anos de caminhada religiosa em busca da sonhada “paz” descrita nos livros de Candomblé , tornei-me “insubmissa” nesta caminhada em prol da verdade dos “roncós inquietos e conturbados deste século”sob a luz da Universidade Federal da Bahia , através de seu Núcleo de Estudos Interdisciplinarares sobre a Mulher (NEIM) . Eu poderia aqui tecer a minha construção inicial da minha submissão de mestrado , dentro do polo epistemológico da confiabilidade e da minha técnica de validade de conteúdo e evidências porém , estou em processo de demarcação de um polo teórico de modelo acessível a todos pertencentes ou não ao Candomblé . 

A escolha do tema “ A Distorção do Conceito de Hierarquia nos Terreiros de Candomblé ; A Conturbada Passabilidade do Roncó e a Formação da Geração ‘ Candomblé On Line ’” nasceu da inquietação cotidiana de não entender a ascensão de uns e declínio total e flagelo de outros . A luz inicial da minha reflexão sobre este tese de mestrado será a “caminhada para a iniciação” realizada no roncó , lugar sagrado onde ficam recolhidos os iniciados . Usarei como base temática e metafórica os objetos sagrados como o apèrè ( banco de madeira pequeno)e o eni ( esteira de palha ) como comprovação e distorção do mau uso destes instrumentos de “submissão ao sagrado” como forma de prática de crimes como assédio moral , assédio sexual , estupro de vulnerável , estelionato e homicídio . 

“ Lugar de fala que silencia vítimas de violência em espaços públicos não é lugar de fala”, Patrícia Bernardes . 

A tecnologia chegou aos terreiros de Candomblé e as denúncias , fotos e relatos respaldam a importância de um estudo profundo desta formação crescente da “Geração Orixá On Line” onde os fundamentos pertencentes ao awo ( segredo) do sagrado é continuamente “vendido” em telefonemas inescrupulosos com “ listas de obrigação” e “ ebós de prosperidade” tão quão perversos quanto a estimativa doentio de violência física , moral e psicológica relatada pelos denunciantes da Igreja Católica e da Igreja Protestante.
 
A “ maquiada” hierarquia praticada nos Terreiros de Candomblé atuais são facilmente detectadas a medida que visualizamos o crescimento desordenado dos Terreiros Urbanos e o declínio estrutural dos Terreiros tombados . Este recorte de estudo é utilizado por mim para fundamentar a prática incoerente de abusos , muitas vezes descritos pelas vítimas de falsos babalorixás e yalorixás , como estelionato . 
Previsto por lei , toda a analogia destes crimes produzidas em meus estudos científicos em iniciação em Julho de 2017 , pretende realinhar o conceito do sagrado x perverso escondido por debaixo das folhas que forram o chão onde são colocadas os objetos do sagrado para suporte de quem deveria ser o guardião daquele corpo material na Terra a ser apresentado ao sagrado no céu no momento de sua “ feitura” ; entrega/confirmação .

A passabilidade no roncó será estudada de acordo com a vulgarização e permanência criminosa de pessoas sem caráter que se utilizam de fundamentação “ errônea” de orí (cabeça) meji (metade) para violentar os corpos sagrados de pessoas , na maioria mulheres e jovens de 15 á 20 anos em transe ou não , para a prática de sexo oral ou penetração inicial nos órgão genitais , sob a argumentação de fazer estas vítimas serem testadas se estão ou não incorporadas de seu orixá . Salientando também o uso , neste contexto , a coação e a submissão a vergonha pública caso haja denúncia junto aos seus “ irmãos de santo” , nome dado aos também frequentadores do mesmo “ barco” (grupo de iniciados ) . 
Desbravar é a minha ação diária em nome de mulheres e adolescentes vítimas da violência perversa que assola o Candomblé atual . É imoral a situação atual do Candomblé nos dias atuais salientando que o que quero não é desmerecer ou perseguir esta prática religiosa na qual eu também faço parte . Eu , Patrícia Bernardes , sugerida como filha de Iroko , quero apenas “ retirar estas folhas imundas” que cobrem a visão do poder público e de nada nos honra na terra sagrada dos orixás . Estes criminosos comerciantes de “ ebós de pureza e prosperidade” devem ser denunciados a luz da Justiça e não somente citados em rodas de ejò (fofocas) nas festas de obrigação suntuosas para quem visita e nada sagradas para quem esteve presente no roncó . 

Que a ancestralidade me guarde nesta caminhada ao lado da minha orientadora de pesquisa e de todos aqueles que participaram direta e indiretamente do resultado final da minha pesquisa .

Olorum Modùpé .
Patrícia Bernardes Sousa
bernardes.comunica@hotmail.com
Jornalista SRTE 4392/Ba 
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